Na cidade grande os rostos são quase sempre diferentes, no
metrô uma cena a cada dia.
E assim foram passando alguns anos, e assim, o diferente
cada vez maior observado foi ficando comum.
Os vagões foram
ficando cada vez em menor número, as faces conhecidas, os cabelos brancos.
Tudo foi ficando chato. Repetitivo, mas amanhã não mais.
Não virei...
As ruas acostumadas com meus passos, não voltarão a me
receber, pessoas que nunca falei, no entanto de alguma forma me viram, nem se
lembrarão mais.
E assim deixarei de existir sem ao menos fazer falta. Tudo
continuara como sempre, sem ser notado outra vez.
Como fiz outras vezes.
Eu ser pensante cheio de idéias e neuras, estarei caminhando
por outro chão de cimento, reparando em outras silhuetas da qual demorarei a
lembrar, cada vez o novo me assustando menos, o frio na barriga nem existe mais,
a observação diferente deixando passar o velho despercebido buscando o novo freqüentemente.
Até não haver mais.
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